EXERCÍCIO e o Cancro  
 

No passado, as pessoas que recebiam tratamento para doenças crónicas eram geralmente aconselhadas pelo seu médico a descansar e reduzir a sua actividade física.

 

Este conselho não é errado se o movimento provocar dor severa, brusco aumento da frequência cardíaca ou dificuldades respiratórias. No entanto, a investigação neste área demonstrou já que o exercício não só é seguro e possível durante o tratamento do cancro, como pode também melhorar a capacidade física e a qualidade de vida.

 

O exercício regular é uma forma efectiva de contrariar os efeitos negativos da inactividade na doença crónica. Excesso de repouso pode resultar em perda de função, força e amplitude de movimento, pelo que os profissionais de saúde começam agora a encorajar os seus pacientes a serem o mais activos possível durante os seus tratamentos.

 


Benefícios do Exercício Regular durante o Tratamento

 

Investigadores da Universidade de Bristol afirmam, com base no resultado de 15 estudos, que a prática regular de  actividade física (cerca de 30 minutos, em três ou mais dias da semana) pode reduzir o risco de cancro no intestino (40-50%), mama (30%), próstata e pulmão (40%).

 

Os cientistas descobriram ainda que o exercício físico pode ajudar doentes oncológicos que já estejam em tratamento, nomeadamente na qualidade de vida de pacientes com leucemia, cancro da mama, intestino e próstata.

 

Os investigadores do Manash Medical de Melbourne sugerem que existe uma relação entre a actividade física e a redução da angiogénese, processo essencial ao desenvolvimento de tumores.

 

Alguns dos benefícios do exercício regular podem ser:

  • Físicos
    • Manutenção ou aumento das capacidades físicas
    • Melhoria do equilíbrio, reduzindo o risco de quedas e fracturas
    • Prevenção da sarcopenia (perda de massa muscular) associada à inactividade
    • Redução do risco de doença cardíaca
    • Prevenção da osteoporose
    • Melhoria do fluxo sanguíneo às pernas e redução do risco de trombos
    • Redução das náuseas e vómitos
    • Redução dos sintomas de fadiga
    • Melhoria do controlo do peso corporal
    • Melhoria do sono
    • Melhoria da flexibilidade e amplitude de movimento
    • Reduzir desequilíbrios musculares e nervosos provocados pelo tratamento
    • Melhoria da circulação e da eliminação de toxinas
  • Psicológicos
    • Melhoria da auto-estima
    • Redução da ansiedade e depressão
    • Aumento da capacidade de manter contacto social
    • Aumento da autonomia em actividades normais da vida diária
    • Reorientação das energias para o bem-estar e não para a doença
    • Melhoria do humor
    • Melhoria da qualidade de vida 


Tipos de Exercício Físico

 

A American Cancer Society recomenda, para a prevenção do cancro, a prática de 30 minutos de exercício físico, em 5 dias da semana. No entanto, o exercício não se tem que resumir a levantar pesos e correr. Existem inúmeras outras formas de manter um bom nível de actividade física, nomeadamente:

  • Marcha – pode substituir-se a passadeira por uma caminhada ao ar livre. Leve música consigo ou combine com amigos e/ou familiares, todos eles precisam de fazer exercício também!
  • Yoga – esta modalidade para além de ter excelentes benefícios físicos, proporciona também o relaxamento, muito importante durante e após os tratamentos.
  • Dança – dançar em casa sozinho/a ou participar em aulas de dança são duas boas opções para manter uma boa condição física de forma divertida.
  • Tai Chi – combina movimentos específicos com técnicas respiratórias, promovendo a meditação e o relaxamento.
  • Actividades Aquáticas – a natação e a hidroginástica são duas actividades bastante completas, aconselhadas a várias populações especiais (durante a radioterapia, provavelmente não terá autorização médica para a prática de actividades aquáticas, enquanto a sua pele não estiver íntegra)
  • Andar de Bicicleta – pode ficar-se por casa numa bicicleta estacionária ou partir-se à descoberta do exterior!
  • Pilates – não está apenas na moda, é realmente uma excelente solução para melhorar a flexibilidade, postura e consciência corporal.

Especificamente no cancro da mama, é aconselhado que se volte às actividades habituais assim que possível. Nesse sentido, devem realizar-se exercícios específicos para os membros superiores de forma a readquirir a sua mobilidade e força muscular, começando suavemente pouco tempo depois da cirurgia (muitas vezes um ou dois dias depois) e integrando-os na rotina diária.

 

O Treino Personalizado pode englobar todas estas experiências de forma totalmente controlada, tornando-se uma excelente opção para qualquer pessoa.

 


Intensidade do exercício

 

Deve ter-se em consideração o tipo e fase do cancro presente e o seu tratamento, a energia, força e condição física do paciente.

 

Enquanto para pessoas saudáveis um esforço pode ser de intensidade baixa ou moderada, para alguns doentes ou sobreviventes de cancro o mesmo esforço pode ter uma intensidade elevada. Enquanto algumas pessoas podem começar o seu programa de treino sozinhos e de forma segura, muitos beneficiarão muito da ajuda de um especialista do exercício.

 

Por esse motivo, deve começar-se devagar e efectuar uma progressão lenta e gradual de acordo com a evolução do paciente. Numa fase inicial, mesmo 2-5 minutos de marcha podem ser um bom objectivo, partindo posteriormente para esforços mais prolongados.


Precauções e Contra-Indicações

  • Pedir sempre uma autorização médica antes de iniciar um programa de exercício, o que pode ser especialmente importante em casos de tratamentos que afectem os pulmões ou o coração, ou quando existe o risco de aparecimento de doença pulmonar ou cardíaca;

  • Não realizar exercício quando o paciente está em maior risco de infecção, anemia ou sangramento (análises sanguíneas);

  • Não realizar exercício quando o nível de minerais (como o sódio e o potássio) no sangue não está normal, o que pode acontecer se o paciente teve vários episódios de vómito e diarreia;

  • Se o paciente tem fadiga severa e não tem vontade de fazer exercício, pode, por exemplo, começar por realizar 10 minutos de alongamentos e/ou 3-5 minutos de marcha todos os dias;

  • Devem evitar-se superfícies irregulares ou pesos excessivos que possam resultar em queda ou lesão;

  • Na presença de osteoporose, cancro que atingiu os ossos, artrite, danos nervosos, fraca visão e equilíbrio, ou fraqueza, deve evitar-se realizar treino de força intenso.

  • O médico deve ser avisado em caso de dificuldades respiratórias em repouso ou esforços de baixa intensidade, ganho de peso inexplicado, tornozelos inchados, dor anormal, tonturas ou visão desfocada.

  • Não se deve fazer exercício quando o paciente tem náuseas/vómitos, dor constante (sem alívio) ou qualquer outro sintoma preocupante.


Fadiga no Cancro

 

A maior parte dos doentes perde energia e, durante a radioterapia e quimioterapia, cerca de 70% tem fadiga, sendo que para muitos esta é severa e limita a sua actividade. No entanto, a inactividade conduz a perda muscular e funcional. O que fazer? Um programa de treino bem estruturado pode ajudar a quebrar este ciclo.

 

Alguns conselhos para reduzir a fadiga são:

  • Preparar uma sequência de exercícios para quando se sentir no seu melhor
  • Realizar exercício (leve a moderado) regularmente
  • Apanhar ar puro
  • Manter uma alimentação saudável que inclua proteínas (a menos que tenha sido recomendado do contrário) e beber 8 a 10 copos de água por dia
  • Controlar os sintomas (dor, náusea, depressão)
  • Poupar energia em momentos de fadiga, colocando os objectos que mais utiliza a fácil alcance)
  • Escolher passatempos que proporcionem prazer e não frustração
  • Usar técnicas de relaxação e visualização para reduzir o stress
  • Não realizar exercício em horas próximas da hora de deitar


O Truque é Divertir-se!

 

O segredo é manter o seu programa de exercício simples e agradável e respeitar as seguintes regras:

  • Estabelecer objectivos a curto e longo prazo
  • Focar no que faz o paciente feliz
  • Variar o treino
  • Contar com o apoio da família, amigos, colegas de trabalho, durante o programa
  • Utilizar relatórios e gráficos para se acompanhar o progresso
  • Reconhecer e recompensar os ganhos

Começar um programa de exercício pode ser difícil para um indivíduo saudável... para alguém que possui uma doença crónica a dificuldade é acrescida, especialmente se não fazia exercício anteriormente ao diagnóstico. O esforço em assumir qualquer tipo de actividade física regular deve ser valorizado e de forma alguma pode ser dispensado, pois é um excelente investimento para a saúde de qualquer pessoa.

 

Já sabe qual é o segredo... agora só tem que começar! Tudo serve, menos ficar parado!

 

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American College of Sports Medicine. (2003). Exercise Management for Persons with Chronic Diseases and Disabilities (2nd Edition). Human Kinetics: Champaign.
www.cancer.about.com
www.cancer.org
www.cancer.org
www.cancersupportivecare.com
www.mni.pt
www.performance.pt
www.roche.pt

 
 
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